Não existe governo com uma única linha de pensamento

Hícaro Teixeira – 01.05.2017

Na prática política não se governa somente com uma linha de raciocínio. Também não se administra uma empresa com uma opinião. É preciso haver divergência, pois a partir daí pode se construir ideias mais consistentes do que uma opinião primária.

Se tratando de política é algo ainda mais profundo. Me aponte algum político ou gestor que tiveram sucesso sem ouvir outras ideias. Nenhum. Geralmente quem quer passar por cima de tudo com um trator, está fadado ao fracasso. Ou passa a alimentar um projeto de governo autoritário e ditatorial.

Cuba é um exemplo de sucesso por ter uma administração com um único pensamento.

Em um governo ou até mesmo num projeto de candidatura é preciso haver duas vozes: o SIM e o NÃO. Elas farão com que o trabalho tenha equilíbrio. Quem quer se pautar somente pelo SIM,  vai ter uma condução desastrosa. Pode até dar certo no começo, mas depois entra em declínio, pois haverá momentos que lhe cobrará o NÃO.

Aqui no Brasil, foi o petismo que criou o conceito de “governar para os meus” e tratar os demais brasileiros como “eles”. Ou passar a considerar como “inimigo” aquele que discorda da sua opinião. Esse é um dos sintomas do populismo, doença que tem feito muito mal à nossa democracia.

E quem disse que essas práticas estão sendo feitas somente pela esquerda? A “direita” que tanto criticou o petismo vem copiando de forma impecável a mesma conduta. Ela simplesmente está se tornando quem ela tanto criticou. Desconfie daquele político que quer adotar somente uma linha de pensamento sem dialogar com outros setores.

Geralmente é o tipo de político que desqualifica tudo que o outro governo faz, mas nunca apresenta sugestões para melhorar determinado projeto – pois ele pensa em fazer oposição para capitalizar em cima do adversário.

É certo de que estamos em um momento natural da democracia em que necessitamos de alternância no poder, afinal, foram 13 anos de governo petista. O Brasil precisa de novas ideias. No entanto, quando alguém quer chegar no poder sem dialogar com outros setores, desconfie.

Ninguém chega em um governo sozinho; sem apoio político, sem base. Sem apoio da imprensa. Sem apoio artístico. Sem opiniões.

Na política é preciso governar para todos.

O populismo afundou o Rio de Janeiro

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Hícaro Teixeira – 11.07.2016

A paisagem do Rio de Janeiro é encantadora. Já tive vontade de morar por lá, mas hoje, nem para fazer turismo está valendo a pena. O Rio vive numa fantasia, que é a soma de glamour e decadência. Diante desses fatos, às vezes me questiono a diferença das ações do Estado Islâmico com a criminalidade no Rio.

A cidade maravilhosa se afogou no mar da criminalidade e virou um verdadeiro filme de terror, com mortes brutais, corpos na calçada, arrastões, tiroteios e execuções.

Todo esse quadro é resultado de gestões incompetentes. Começando pelo populismo de Leonel Brizola, com sua política “pacifista”, que suspendeu a ação da polícia nos morros, estimulando o tráfico. Alguns anos depois, esse problema piorou com Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, que em conjunto com os petistas Dilma e Lula, maquiaram a cidade para trazerem as Olimpíadas.

O programa das UPPs foi apenas para fazer espetáculo midiático com a operação no Complexo do Alemão, tudo para ganhar destaque internacional em 2010.

Depois os problemas apareceram. Segundo a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, antes da operação, em 2009, o Rio tinha 33,2% homicídios dolosos (com intenção de matar). Em 2010, esse número caiu para 27,6. Em 2011 foi para 24,9%. A partir de 2012 a curva começou a subir para 25,1%, até chegar em 30% em 2014.

O projeto populista falhou. O treinamento rápido dos policiais militares novatos terminou em ataques fatais, fazendo a criminalidade dominar as UPPs. A falta de recursos do Estado implicou no fracasso. Agora estão contando com a segurança da Força Nacional, que tem apenas 1.500 soldados, e com PMs de São Paulo, somente para as Olimpíadas. Esqueceram que o caos voltará depois do evento.

Com esse clima de guerra civil e desordem, os moradores estão querendo sair da cidade. De acordo com a pesquisa da ONG Rio Como Vamos, 56% da população tem vontade de ir embora. Esse percentual em 2011 era de 27%.

O engraçado mesmo é ver Eduardo Paes, prefeito da cidade, um dos mentores por ter trazido as Olimpíadas, tentando se desvincular dos problemas da cidade, culpando o governo estadual, em entrevista a CNN. “E o estado está fazendo um trabalho terrível, horrível”.